- Falei aqui várias vezes que o Brasil tinha uma arma para vencer retrancas em sua sempre eficiente bola parada. Parece, porém, que os adversários estão perfeitamente conscientes disso. Não consigo lembrar, nos três primeiros jogos, de faltas laterais perigosas cometidas próximas ao gol do oponente brasileiro. No jogo contra Portugal, isso pode ser atribuido à falta de jogadores com capacidade de drible para forçar as infrações, mas nos dois primeiros jogos, tínhamos Robinho e Kaká em campo.
- Por mais que Felipe Melo tenha feito 45 minutos desastrosos e completamente descontrolados, o Brasil precisa dele. É o camisa 5 brasileiro o único volante com capacidade para fazer uma saída de bola qualificada. Ramires sai muito do lugar e acaba se transformando em um meia, o que coloca em Gilberto Silva o peso de fazer toda a transição entre defesa e ataque. A entrada de Josué no segundo tempo contra Portugal mostrou como ele "engessa" o meio-campo. Felipe, quando está bem como foi contra a Costa do Marfim, é extremamente importante.
- O nervosismo de Daniel Alves na Copa do Mundo é evidente. O baiano não errou apenas na parte técnica no jogo contra os portugueses. Daniel se posicionou demasiadamente centralizado e não acompanhou as subidas de Fábio Coentrão, que acabou se tornando um dos destaques lusos na partida. Se a posição de Elano no time titular um dia foi ameaçada, hoje ele parece mais titular do que nunca.
- Dunga constrói boas equipes e sabe ler o jogo, mas erra na escolha dos jogadores. O técnico brasileiro foi muito bem na substituição de Felipe Melo e tinha toda a razão de pedir aos seus jogadores que tocassem a bola no segundo tempo. O problema é que os jogadores que estavam em campo, escolhidos por ele, não são os mais adequados para cumprir esta tarefa. Mais uma vez eu digo que Dunga foi brilhante até aqui em sua montagem de equipe e falhou na seleção de suas peças.
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